SARES marca formação de seminaristas comprometidos com os clamores da Amazônia

SARES marca formação de seminaristas comprometidos com os clamores da Amazônia

Após semanas de imersão no trabalho realizado pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), foi encerrado no dia 8 de outubro de 2026, o estágio dos estudantes do curso de Teologia da Faculdade Católica do Amazonas (FCA). A programação contou com a apresentação do Relatório Final do estágio e logo após realizou-se uma confraternização com a participação da Profa. Dra. Elisângela Socorro Maciel Soares (Professora e Coordenadora de Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação da FCA).

A experiência consolidou um processo formativo que ultrapassou os limites da sala de aula e aproximou os futuros presbíteros dos desafios concretos vividos pelos povos e comunidades da Amazônia diante da emergência climática.

Participaram do estágio os seminaristas: Alessandro Batista, da Diocese de Parintins; João Marcelo, da Prelazia de Itacoatiara; Josias Fonseca e Marcus Vinicius, da Diocese de Parintins; Mateus Cabral e Sebastião Gabriel, da Diocese de Coari. Ao longo do período, eles encontraram no SARES um espaço privilegiado de escuta, observação, diálogo, incidência e participação junto às populações mais impactadas pelas transformações socioambientais em curso na região amazônica.

Um dos momentos mais significativos da experiência foi a participação na organização e acompanhamento da Audiência Popular sobre o Super El Niño, realizada no dia 10 agosto deste ano, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM). O encontro reuniu diversos segmentos da sociedade amazônica para discutir os efeitos do Super El Niño sobre os territórios, promovendo um amplo espaço de escuta e incidência social.

Durante a audiência, os seminaristas tiveram a oportunidade de ouvir relatos marcantes de lideranças indígenas, ribeirinhas, quilombolas e representantes de comunidades tradicionais. A experiência revelou que a emergência climática possui rostos concretos e afeta diretamente a vida das populações mais vulneráveis, especialmente por meio da seca dos rios, das queimadas, das ondas de calor e da insegurança alimentar.

Além da Audiência Popular, os estudantes também participaram de atividades promovidas pelo SARES relacionadas à justiça socioambiental, à defesa de direitos e ao fortalecimento da participação social, como o Gritos dos Excluídos 2026 e o Curso de Extensão Povos Originários e Territorialidade: Formação para as Causas Indígenas e Comunidades Tradicionais. A convivência com essas realidades contribuiu para ampliar a compreensão de uma Igreja comprometida com os desafios do tempo presente e próxima dos povos da Amazônia.

Para o seminarista Sebastião Gabriel, da Diocese de Coari, a experiência representou um marco importante na caminhada rumo ao ministério presbiteral:

“O estágio foi de grande importância para o crescimento não somente no âmbito intelectual, mas para todo ser humano que busca conhecimento e proximidade com as realidades concretas e desafiadoras. O SARES contribuiu para ampliar nossa visão de uma Igreja encarnada na vida e na realidade de cada povo e de cada cultura, não alheia às situações vividas por muitos de nossos irmãos e irmãs. Foi uma experiência que nos sensibilizou e nos impulsionou ao compromisso com a defesa da vida, da dignidade humana e do cuidado com a Casa Comum.”

Inspirada pelos princípios da Ecologia Integral e pelo chamado de uma Igreja sinodal, missionária e samaritana, a experiência reafirmou que a formação teológica precisa caminhar lado a lado com a realidade. No SARES, os seminaristas descobriram que fazer teologia é também aprender a ouvir, acolher os saberes dos povos, defender a dignidade humana e contribuir para a construção de alternativas que promovam justiça socioambiental e cuidado com a Casa Comum.

O encerramento do estágio representa não apenas a conclusão de uma etapa acadêmica, mas o fortalecimento de uma visão de Igreja encarnada no chão da Amazônia, capaz de reconhecer os clamores dos territórios e responder a eles com presença, discernimento e compromisso.

Ao concluir essa caminhada, os seminaristas levam consigo uma certeza: anunciar o Evangelho na Amazônia exige, antes de tudo, escutar os povos, partilhar suas lutas e transformar a fé em serviço concreto à vida. Uma lição que dificilmente se aprende apenas nos livros, mas que floresce no encontro com quem resiste e mantém viva a esperança nos diversos territórios amazônicos.