“Erguemos nossa voz :Mulheres vivas e soberania” foi o chamado que reuniu mulheres na Tenda das Mulheres, realizada durante o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, no dia 7 de setembro, no INPA, em Manaus. O espaço foi dedicado à acolhida, escuta, partilha de experiências e fortalecimento da luta das mulheres em defesa da terra, da paz, da moradia e da vida.
Na Tenda das Mulheres, Mercy Soares-Sares, juntamente com Lidiane Cristo-PAAM e Luzarina Varela-Pastoral Operária, conduziu o espaço de diálogo e partilha sobre as diferentes formas de violência que atingem as mulheres, seus corpos, suas comunidades e seus territórios.
Entre os momentos marcantes da roda de conversa esteve o testemunho de Ednelsa Fritz, mãe de Camila Fritz, que compartilhou a história de sua filha como um alerta e um chamado ao fortalecimento da luta contra o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres.
Ao compartilhar sua experiência, Ednelsa convidou as pessoas presentes a se somarem à luta por justiça e a participarem do Júri Popular que julgará o ex-marido de Camila, policial acusado de assassiná-la a tiros. O testemunho trouxe para o centro da discussão a urgência de enfrentar a violência contra as mulheres e fortalecer redes de proteção, denúncia e justiça.
A Tenda também foi espaço para reconhecer as mulheres como sujeitas políticas e protagonistas das transformações sociais, partilhando experiências de resistência e iniciativas de defesa da vida. O roteiro propôs refletir sobre temas como violência doméstica e política, racismo e racismo ambiental, ameaças aos territórios, falta de moradia, ausência de saneamento, insegurança alimentar, mudanças climáticas e sobrecarga do trabalho de cuidado.
A atividade foi encerrada com a construção coletiva de vozes e reivindicações das mulheres, reafirmando a luta pela construção da casa da mulher brasileira , que seguem com as obras paralisadas, acumulando anos de atraso e gerando cobranças de órgãos de justiça, sociedade civil, movimentos das mulheres e parlamentares. Em julho de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) cobrou da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e da Caixa Econômica Federal a apresentação de um cronograma para a retomada e conclusão da obra, enquanto parlamentares estaduais e municipais também têm denunciado o abandono do canteiro e cobrado providências do Governo do Estado. A casa da Mulher Brasileira, quando concluída, deverá oferecer atendimento integrado e humanizado às mulheres em situação de violência, reunindo serviços como delegacia especializada, defensoria, juizado, atendimento psicossocial e apoio à autonomia econômica, com a proposta de funcionamento contínuo, 24 horas por dia, todos os dias da semana.
A presença do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares) também esteve representada na Exposição dos Grupos, Pastorais, Movimentos e Serviços, espaço destinado à partilha das experiências e ações das organizações participantes do Grito. Mary Nelys-Sares esteve à frente da mesa do Sares, que apresentou, por meio de fotografias, um pouco da atuação e dos serviços desenvolvidos pela instituição no território amazônico, fortalecendo a visibilidade de sua missão e compromisso com a Ecologia Integral, a justiça socioambiental e a defesa da Casa Comum.
A participação do Sares no Grito dos Excluídos e Excluídas faz parte de um compromisso construído ao longo dos anos. A instituição participa das reuniões de planejamento, da elaboração dos roteiros e da construção coletiva das atividades, somando sua experiência e sua missão na defesa da vida e da justiça socioambiental.
O Grito é compreendido pelo Sares como um importante espaço de denúncia, anúncio, mobilização, fé e esperança, onde diferentes pastorais, movimentos, organizações e comunidades unem suas vozes em defesa da vida.
A programação contou ainda com a tradicional Missa Amazônica, em alusão ao Dia da Amazonia, celebrado no dia 05, momento de fé e espiritualidade que integra a caminhada do Grito. A celebração reuniu elementos da realidade amazônica e o compromisso com a defesa da Casa Comum.
Presidida por Dom Samuel e concelebrada por diversos padres, a Missa Amazônica reforçou a dimensão espiritual da mobilização, unindo oração e compromisso com a transformação da realidade. A celebração reafirmou o chamado para que “nossa fé se transforme em compromisso, nossa oração em ação e nosso grito em esperança organizada”.
Ao participar do 32º Grito, o Sares reafirma sua missão de caminhar junto aos povos, às mulheres, às comunidades, e aos movimentos, fortalecendo processos de participação, resistência e construção de uma sociedade em que a vida esteja sempre em primeiro lugar.
Mulheres vivas e soberanas!
Na defesa da terra, da paz e da moradia, erguemos nossa voz!









