Curso sobre Povos Originários inicia com Aula Magna marcada por compromisso com a Amazônia, identidade e valorização dos povos

Curso sobre Povos Originários inicia com Aula Magna marcada por compromisso com a Amazônia, identidade e valorização dos povos

O auditório da Faculdade Católica do Amazonas acolheu, no dia 1º de agosto, a Aula Magna do Curso de Extensão “Povos Originários e Territorialidade: Formação para as Causas Indígenas e Comunidades Tradicionais”, iniciativa construída em rede pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), Faculdade Católica do Amazonas, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME), Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e outras instituições parceiras. O curso busca fortalecer a formação de lideranças, agentes pastorais, estudantes e pessoas comprometidas com a defesa dos direitos dos povos originários e das comunidades tradicionais da Amazônia.

A abertura do evento contou com a presença de Dom Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que ressaltou a importância da formação como instrumento para o reconhecimento e a valorização das culturas locais. Em sua fala, destacou que a riqueza da Amazônia está profundamente ligada aos seus povos, aos seus saberes, às suas tradições e às diversas formas de viver e cuidar dos territórios. O Cardeal reforçou ainda o compromisso da Igreja amazônica com a promoção da dignidade humana, da justiça socioambiental e do respeito aos povos originários.

A mediação ficou a cargo de Dra. Elisângela Maciel, que conduziu o diálogo entre os participantes e a assessora, favorecendo um rico momento de troca de experiências e reflexões sobre o papel das instituições, da educação e da fé na promoção da justiça socioambiental e da defesa dos direitos dos povos originários

Durante a Aula Magna, a Dra. Valéria Baniwa conduziu uma reflexão profunda sobre identidade e resistência dos Povos Indígenas, abordando os processos históricos de luta dos povos indígenas, a importância da preservação da identidade cultural e os desafios enfrentados pelos povos originários na defesa de seus territórios e modos de vida. A assessora ressaltou a necessidade do diálogo intercultural e do reconhecimento dos povos indígenas como protagonistas de sua própria história.

O debate foi enriquecido pela participação de Lauryane Sophie da Silva Ferreira, conselheira suplente da COPIME no Conselho Estadual da Juventude do Amazonas, que compartilhou sua experiência pessoal sobre identidade e pertencimento. Em seu depoimento, destacou que o conhecimento de sua história e a aceitação de sua identidade foram fundamentais para fortalecer sua autoestima e segurança.

“Foi quando passei a conhecer melhor minha história e aceitar minha identidade que me tornei mais segura de quem sou. Hoje ando grafitada por todos os lugares onde vou e me sinto bem, feliz. Mas isso foi resultado de um percurso de reconhecimento, de aprendizado e de valorização das minhas origens.”

Sua fala emocionou os participantes ao evidenciar que os processos de fortalecimento identitário também representam caminhos de resistência, afirmação cultural e autonomia para as novas gerações indígenas.

Na acolhida do evento, a educadora social do SARES, Mercy Soares, destacou a trajetória do curso, que chega à sua quarta edição, consolidando-se como uma importante iniciativa formativa voltada para as causas indígenas e comunidades tradicionais.

Segundo ela, esta edição é marcada por uma inovação importante:

“Esta é a quarta edição do curso e, neste ano, estamos vivenciando uma experiência nova. A pedido de lideranças de municípios como São Gabriel da Cachoeira e Beruri, ampliamos o acesso à formação. Hoje temos dois grupos: um grupo participando de forma 100% presencial e outro acompanhando à distância, por meio da transmissão simultânea das aulas.”

A iniciativa representa um avanço significativo na democratização do acesso à formação, permitindo que lideranças de diferentes regiões do Amazonas participem do processo educativo sem precisar se deslocar até Manaus, fortalecendo a articulação entre territórios e ampliando o alcance das reflexões promovidas pelo curso.

Ao reunir lideranças indígenas, representantes de movimentos sociais, agentes pastorais, estudantes e educadores, a Aula Magna reafirmou a importância da formação como instrumento de transformação social e fortalecimento das lutas dos povos da Amazônia. O encontro marcou o início de uma caminhada construída a partir do diálogo entre saberes acadêmicos, populares, comunitários e espirituais, reafirmando o compromisso coletivo com a valorização das culturas originárias, a defesa dos territórios e a construção do Bem Viver.

A quarta edição do curso inicia, assim, sob o sinal da esperança, da diversidade e da resistência, fortalecendo redes de compromisso com uma Amazônia onde os povos originários sejam reconhecidos, respeitados e protagonistas de sua própria história.

Segue a programação do Curso:

PROGRAMAÇÃO DO CURSO

📖 Aula Magna – 01 de agosto

Identidade, Resistência e a relação com a Igreja Católica

Assessor: Dra. Valéria Baniwa

📖 Módulo I – 08 de agosto

História dos Povos Indígenas no Amazonas

Guenter Francisco Loebens (CIMI)

📖 Módulo II – 15 de agosto – Ecologia Integral e o Magistério do Papa Francisco

Rodrigo Fadul Andrade (REPAM)

📖 Módulo III – 22 e 29 de agosto

Direitos dos Povos Originários e das Comunidades Tradicionais

João Vitor Lisboa Batista _UEA; Fernando Merloto Soave (MPF)

📖 Módulo IV – 12 de setembro

Indígenas e Comunidades Tradicionais em Contexto Urbanizado

Danielle Munduruku – FOREIA e Rafaela Fonseca da Silva – Quilombo São Benedito

📖 Visita de Campo

Vivência junto ao Quilombo São Benedito

A aula desse dia será no Quilombo á tarde, das 13h às 17h.

📖 Módulo V – 19 de setembro

Desafios e Perspectivas: Educação, Saúde, Comunicação, Impactos e Resistências

Ivania Vieira – UFAM e Marcela Amazonas-INPA

📖 Módulo VI – 03 de outubro

História das Comunidades Tradicionais no Amazonas

Núbia Maria Gonzaga da Silva – Faculdade Católica do Amazonas