Sares se soma à defesa do território e alerta para riscos socioambientais
A mineradora canadense Potássio do Brasil realizou, nos últimos meses, o desmatamento de áreas dentro da Terra Indígena Lago do Soares, reivindicada pelo povo Mura, no município de Autazes (AM). O território segue em processo de identificação e delimitação pela Funai, mas já apresenta impactos provocados pelo avanço do projeto.
Diante desse contexto, o Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares) se soma à luta do povo Mura. Ao longo dos anos, a instituição tem caminhado junto às comunidades indígenas, especialmente na região do Lago do Soares, em Autazes, promovendo processos de formação, fortalecendo a identidade indígena e contribuindo para a resistência e defesa do território. Nesse cenário, reforça a importância de unir vozes diante das ameaças e alerta para os riscos socioambientais associados ao empreendimento.
As intervenções integram o megaprojeto de exploração de potássio na região do baixo rio Madeira e tiveram início após a concessão de licenças ambientais pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. O Ministério Público Federal (MPF) contesta o processo de licenciamento, afirmando que a competência seria do Ibama, devido à sobreposição com território indígena reconhecida pela própria Funai.
“A gente pede que o Estado brasileiro respeite os povos indígenas, porque isso não é só com a gente. Se a gente deixar acontecer, vai atingir outros povos também”, afirma o tuxaua de Soares, Filipe Gabriel Mura.
Enquanto a demarcação do território, reivindicada há mais de duas décadas, segue sem conclusão e persistem impasses no licenciamento ambiental, o Sares reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos amazônicos e da justiça socioambiental, somando-se às denúncias sobre os impactos do empreendimento no território Mura.